Viagens Corporativas Retoma Às Atividades Após Quase Dois Anos De Pandemia

Enquanto o Brasil dá seus primeiros passos rumo à retomada dos eventos presenciais - com a reabertura dos campeonatos esportivos e alguns encontros voltados ao entretenimento - e já começa a falar sobre a realização do Carnaval em 2022, o mundo está alguns passos à frente do País, saindo do mundo online e retornando ao universo físico.

(© Google Imagens)

Para Natasha Caiado de Castro, CEO da Wish International - empresa especializada no mercado MICE (Meetings, Incentives, Conventions e Exhibitions) - e única brasileira no seleto grupo de lideranças do setor, que desde julho realizam visitas a diferentes partes dos EUA e Europa organizando discussões e ações para acelerar a retomada dos do setor de incentivos, convenções e exposições, o Brasil não será exceção a esse movimento global.

“É um trabalho árduo pois, a comunicação no ecossistema foi quebrada por muito tempo, são vários gaps que temos que arrumar e redirecionar fluxos de produção. A sensação é de estar sendo pioneira em um mundo totalmente novo. A máquina não gira mais e os novos elementos não cabem na antiga estrutura. Estamos reinventando nosso setor. Um desafio lindo e assustador”, explica.

 

A Moda Ditando Tendências Nos Negócios

Um dos exemplos claros disso é a Semana de Moda de Paris, que aconteceu recentemente. De acordo com a empresária, o evento pode ser considerado um marco dessa retomada de eventos, porque não envolve somente a apresentação de tendências do setor, mas também é uma oportunidade importante para a realização de negócios. “Com 97 desfiles no calendário oficial, esse evento reuniu um grande número de pessoas e ele é importante não somente para ditar o que será foco de consumo, mas também como será o início da retomada de vários outros setores ligados à moda , estética, hotelaria, gastronomia, viagens, etc. É um grande filtro gerador de negócios”, aponta.

Com isso, as expectativas se tornaram mais intensas para a realização de outros eventos com essa característica, como os salões do automóvel, realizados em várias grandes cidades do mundo como São Paulo, Frankfurt, Paris, assim como os eventos de tecnologia como o CES e lançamentos de produtos que estão acontecendo em todos os lados. Durante quase dois anos de pandemia da covid-19, esses encontros profissionais saíram do mundo físico e migraram para o universo virtual ou híbrido.


Olho No Olho

De acordo com Natasha, os eventos virtuais foram muito bem-sucedidos para o momento no qual as pessoas não podiam sair de casa. Porém, eles trouxeram algumas lições. “A parada na mesa do colega no caminho do toalete trouxe soluções mágicas no passado, a ausência de interação entre as pessoas acarretou em falta de criatividade nas equipes que necessitam de diversidade de pensamento, amadurecimento e brainstorm - agora tudo isso retoma com intensidade impressionante. O ser humano se acostumou à vida em sociedade, não se adaptou à solidão. Lei de Darwing, sobrevivência falando mais alto. Agora o cérebro está se adaptando novamente à nova velha prática de network.

Em suas passagens internacionais por vários locais do mundo, Natasha tem visto que essa retomada está sendo levada à sério no mercado de eventos corporativos, assim como o reaquecimento gradual do turismo de luxo e marketing de experiência. Segundo dados da Bloomberg, a cidade de Paris foi considerada um dos destinos mais seguros para os turistas atualmente. Para a CEO, o próximo passo será dado pelo mercado de turismo de classe média, que aos poucos também volta a acontecer com boa parcela da população vacinada e o avanço da imunização pelos países.

“Em outubro, dos 16 hotéis visitados entre Paris e Milão, seis não puderam mostrar nenhum quarto por estarem lotados e os outros não tinham todas as categorias disponíveis para inspeção técnica para fechamento de contratos corporativos”, conta.


Turismo De Negócios De Volta

A terceira onda dessa movimentação será o turismo de negócios. “Estamos vendo o nosso futuro acontecer lá fora”, destaca Natasha.

Os dados comprovam que o turismo de negócios já dá seus primeiros sinais de volta às atividades. Em Montenegro, a Toyota realizou um evento de incentivo presencial com 400 pessoas em um barco, além do fechamento da praça central da região para acomodar o encontro.

Outro exemplo disso aconteceu no famoso hotel Ritz, um dos ícones do turismo parisiense. O hotel registrou um alto volume de reservas de brasileiros que estão aproveitando a retomada das atividades na França e o recesso escolar local para viajar.

Recentemente, um evento corporativo reuniu mais de 150 pessoas em Budapeste. Segundo Natasha, havia algumas regras importantes para a participação, como o uso de máscara, o envio de um exame de PCR atestando a negativação da doença - feito em um prazo mínimo de até 72 horas - e não havia apertos de mão.

Na Itália, o evento TTG Travel Experience reuniu milhares de profissionais de turismo para discutir a retomada do setor. Na ocasião, o ministro do Turismo, Massimo Garavaglia, ressaltou que, passo a passo, o setor vai recuperando o espaço perdido. “Os indicadores nos permitem olhar para o futuro com confiança. Estamos avançando com passos concretos, para a retomada de reuniões e conferências, ou a reabertura do inverno graças ao desenvolvimento de novos protocolos. Em 2022 queremos voltar aos números de 2019 e, de qualquer forma, não vamos parar até chegar a isso”, afirmou.

Na semana anterior, a França sediou o IFTM Top Resa 2021, feira B2B do turismo no país, considerado um encontro de referência de profissionais do setor, que se reuniram para entender as evoluções do setor e buscar alternativas para a nova realidade do setor.

Portugal é o próximo país a sediar um encontro de profissionais do setor de eventos e turismo. Já são esperadas mais de 40 mil pessoas no Web Summit.

Para a CEO da Wish, o turismo de negócios, ao contrário de muitas análises, deve voltar aos trilhos em um prazo não tão longo. “O setor está voltando mais inovador e adequado às novas demandas de "ressignificação" e "revalorização" pelas quais passaram os seres humanos durante o isolamento. O ser humano mudou, virou outro tipo de consumidor e os eventos estão acompanhando esta mudança do mundo”, conclui.