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O Que Busca O Novo Perfil De Hóspede Brasileiro ?

Sentir-se em casa, resolver tudo com o apoio da tecnologia e pagar apenas pelo que consome: isso é o que busca o novo perfil de hóspede brasileiro

O setor imobiliário está apresentando ampla recuperação com o aumento no volume de vendas de imóveis impulsionado pela redução da taxa de juros. Muitos investidores resolveram apostar na locação de curta e média temporadas, mirando na demanda crescente por esse tipo de oferta, já amplamente desenvolvida no mercado internacional.

Para atender esse perfil de cliente, empresas têm entrado no mercado de short-stay, no qual os residenciais com serviços vêm se mostrando uma opção atrativa, muito em função da sub-oferta de unidades de hotelaria no Brasil - para se ter uma ideia, hoje, o país dispõe de menos quartos por habitante do que outras nações da América do Sul. Assim, foi possível perceber que o segmento de residenciais com serviços viabilizaria o aumento da oferta em praças com maior carência, atendendo ao perfil de consumidor que deseja manter seu estilo de vida mesmo quando não está em casa e pagar apenas pelos serviços que utilizar.

Segundo uma pesquisa da Mapie de 2017-2018 sobre Viagens Compartilhadas, 79% dos consumidores entrevistados consideram que uma residência apresenta melhor relação custoxbenefício que meios de hospedagem convencionais, além de proporcionar mais liberdade e maior espaço para acomodar mais pessoas. Nesse sentido, essa parcela não vê valor nas comodidades ofertadas pelos hotéis, preferindo o formato de residenciais com serviços, pois assim terá todo o conforto do lar e a segurança e a previsibilidade de um condomínio.

Esses hóspedes são contemporâneos, procuram por facilidades e valorizam seu poder de escolha, portanto querem uma experiência mais no estilo "do it yourself". Geralmente, estão na faixa etária entre 25 e 45 anos, são usuários de ferramentas tecnológicas e preferem alugar apartamentos ou studios localizados em regiões estratégicas, próximas de comodidades urbanas como comércios e transporte público, evitando a locação de um carro para se deslocarem. Esse novo viajante também busca por flexibilidade em suas viagens a trabalho ou a lazer, para que possa optar por estadas para períodos curtos ou longos.

É nesse cenário que os studios com serviços, que atendem desde o consumidor mais básico até aquele que busca por uma experiência residencial de luxo, ganham cada vez mais espaço. São unidades que oferecem uma infraestrutura completa: minicozinha que dispõe de geladeira ou frigobar, micro-ondas, cooktop, cafeteira e filtro de água, além de ar-condicionado e Smart TV.

É um modelo disruptivo de interação com o cliente, que vem ao encontro dos interesses tecnológicos desse público: serviços disponibilizados em um único lugar por meio de aplicativos que funcionam como uma central de atendimento 24 horas, permitindo fazer reservas, Check-In e Check-Out, acessar o apartamento, solicitar atendimento remoto e contratar serviços pay per use, como limpeza e delivery.

Em 2020, uma matéria do jornal El País apontava que o coronavírus funcionou como um acelerador de futuros, antecipando mudanças que já estavam em curso - como a ideia de que "menos é mais". As pesquisas também já mostravam que, atualmente, muitos jovens não têm interesse em financiar uma casa ou apartamento, preferindo investir em experiências pessoais, como cursos e viagens. A moradia com serviço faz parte dessa transformação e, o que já era tendência, vem ganhando força entre um novo perfil de hóspede: o que busca menos burocracia, mais liberdade, praticidade e autonomia. Não à toa, um número cada vez maior de incorporadoras tem investido na iniciativa, que no Brasil tende a crescer muito nos próximos anos, mudando a concepção que temos hoje sobre o "morar".


Perfil Do Entrevistado

Leonardo Rispoli é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Uberlândia, com pós-graduação em Finanças e Planejamento Empresarial pela mesma universidade e MBA pela Business School de São Paulo (BSP).

Com carreira desenvolvida nas áreas de Marketing e Vendas, iniciou sua trajetória profissional no Grupo Martins, como consultor na Universidade Martins de Varejo e, logo depois, na American Express. Em 2000, entrou para a Claro, passando por diversas áreas até chegar na posição de diretor nacional do segmento corporativo (Claro Empresas), em 2006.

Entre 2007 e 2011, ocupou posições de diretoria executiva nas empresas Equifax, Serasa Experian e Titans Group, nas áreas de Comercial, de Desenvolvimento de Negócios e de Tecnologia. Entre 2012 e 2017, ingressou no setor educacional como diretor de Marketing e Vendas, primeiramente da Universidade Anhembi Morumbi e da Business School de São Paulo (BSP), com foco na transformação digital em Marketing e Vendas. Em seguida, integrou a FMU para a criação da unidade Laureate São Paulo.

Em 2017, ingressou na Atlantica como Vice-Presidente de Marketing, Vendas e TI, onde permanece até hoje.