IATA Acentua Grave Crise Na Capacidade Do Transporte De Carga Aérea

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA - International Air Transport Association) divulgou grave deficit de capacidade do transporte aéreo de carga no mês de março de 2020. A demanda global, medida em toneladas de carga por quilômetro (CTKs*), caiu 15,2% em março em relação ao ano anterior (-15,8% nos mercados internacionais) e a capacidade global, medida em toneladas de carga disponível por quilômetro (ACTKs), diminuiu 22,7% em março em relação ao ano anterior (-24,6% nos mercados internacionais).

Alexandre de Juniac, diretor geral & CEO da IATA.

Os mercados internacionais representam 87% da carga aérea e a capacidade de transporte de carga internacional no porão de aeronaves de passageiros encolheu 43,7% em março em relação ao ano anterior. Isso foi parcialmente compensado pelo aumento de 6,2% na capacidade devido à utilização de aeronaves cargueiras, além da utilização de aeronaves de passageiros ociosas para operações somente de carga.

"No momento, não temos capacidade suficiente para atender à demanda remanescente de carga aérea. Os volumes caíram mais de 15% em março em relação ao ano passado, mas a capacidade encolheu quase 23%. Essa diferença deve ser resolvida rapidamente, porque os suprimentos vitais precisam chegar onde são necessários. Por exemplo, há uma demanda duas vezes maior por produtos farmacêuticos essenciais para o enfrentamento desta crise. Com a maior parte da frota de passageiros ociosa, as companhias aéreas estão fazendo o possível para atender à demanda, adicionando serviços de aeronaves cargueiras, além da adaptação de aeronaves de passageiros ao transporte exclusivo de carga. Mas o preparo dessas operações especiais continua enfrentando obstáculos burocráticos. Os governos devem reduzir a burocracia envolvida na aprovação de voos especiais e garantir o deslocamento seguro e eficiente da tripulação", disse Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA.

Ainda existem muitos exemplos de atrasos na obtenção de licenças de fretamento, relaxamento da obrigatoriedade de testes para COVID-19 para tripulação de cargueiros e infraestrutura inadequada em solo de/para e dentro dos ambientes aeroportuários. A carga aérea precisa se mover de forma eficiente por toda a cadeia de suprimentos para ser eficaz.


Recuperação Lenta

Mesmo com o atual déficit de capacidade, a crise econômica deve agravar ainda mais os volumes de carga aérea. Uma análise de curto prazo mostra que a atividade de manufatura global continuou em contração em março, pois as restrições impostas pelos governos causaram interrupções generalizadas - onde após o acentuado declínio em fevereiro, que foi mais grave que a crise financeira global de 2008, o PMI - Purchasing Managers Index (índice que mede a atividade de gerenciadores de compras) da manufatura subiu um pouco em março, mas continua com tendência de queda. Essa pequena melhoria foi resultado da estabilização do PMI da China; sendo assim, ao excluir o resultado da China, o índice global caiu para o seu nível mais baixo desde maio de 2009.

Para o restante de 2020, a Organização Mundial do Comércio prevê poucas chances de uma recuperação rápida. O cenário mais otimista é de queda de 13% no comércio em 2020, enquanto o cenário pessimista registra queda de 32% no comércio em 2020. Esses resultados causarão um impacto profundo nas perspectivas da carga aérea. Porém, uma área de demanda apresenta crescimento. O transporte de produtos farmacêuticos registrou o dobro do volume do ano passado, sem contar o transporte de equipamentos médicos.

"A falta de capacidade suficiente infelizmente será, um problema temporário. A recessão provavelmente atingirá a carga aérea de forma tão grave como no restante da economia. Para manter a cadeia de suprimentos em movimento para atender à demanda atual, as companhias aéreas devem ser financeiramente viáveis. Qualquer alívio financeiro para as companhias aéreas continua urgente", afirmou De Juniac.

Imagem: Google Imagens