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Cabo Verde Alarga Isenção De Vistos A Cidadões Do Brasil, Canadá E EUA

Os turistas brasileiros, canadianos e norte-americanos vão passar a estar isentos de vistos em passaporte para entrar em Cabo Verde a partir de Fevereiro, medida com a qual o Governo cabo-verdiano pretende atrair um novo nicho turístico. O objetivo consta de uma resolução de 8 de Janeiro, do Conselho de Ministros, que entra em vigor dentro de um mês, alargando a lista de países cujos cidadãos estão isentos de vistos para estadias de até 30 dias em Cabo Verde.


O documento já antecipa o início de vôos regulares pela Cabo Verde Airlines (CVA) para Toronto (Canadá, um dos três países agora abrangidos pela isenção), e justifica a decisão para os restantes com os vôos que aquela companhia aérea, privatizada em Março de 2019, já realiza para o Brasil e para os Estados Unidos, através do hub instalado na ilha do Sal.

"Os brasileiros são os passageiros que mais utilizam o hub aéreo como ponto de trânsito para a Europa, sendo bastante expectável que, com a abertura de vôos diretos para Washington DC [desde Dezembro] e para Toronto [anunciados pela CVA para este ano], para além dos já existentes para Boston, o mesmo venha a acontecer com os cidadãos oriundos do Canadá e dos Estados Unidos da América", lê-se na resolução que alarga as isenções de visto.

Ainda assim, é reconhecido que o mercado turístico cabo-verdiano "não tem conseguido cativar este segmento de viajantes em trânsito", que passam pelo hub do Sal - total de 10.100 passageiros transportados por semana pela CVA em Dezembro -, apesar "de serem oriundos de importantes mercados emissores de turistas para outros destinos, nomeadamente na Europa e/ou no próprio continente africano".

Para inverter este cenário, o Governo admite que o programa Stopover da CVA, que permite uma paragem em Cabo Verde entre vôos da companhia aérea com passagem no hub do Sal, "surge, precisamente, como forma de captar aquele segmento de viajantes, sendo por isso um importante instrumento para dinamizar o mercado nacional, a partir daqueles países.

"O ministério do Turismo e Transportes, em colaboração com a Cabo Verde Airlines, tem realizado missões de promoção de Cabo Verde no mercado turístico brasileiro e da América do Norte, tendo registado o forte potencial destes mercados", defende a resolução do Governo.

A isenção de vistos "constitui mais um importante fator de atração dos passageiros em trânsito" no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal - que registra já um movimento anual superior a um milhão de passageiros - provenientes daqueles três países e "não só".

O Governo de Cabo Verde tem a meta de chegar a um milhão de turistas anuais a partir de 2021.

Reino Unido, Portugal, França, Alemanha e Itália representam atualmente o grosso da origem dos turistas estrangeiros em Cabo Verde.

Cidadãos de 36 países europeus deixaram desde o início de 2019 de estar obrigados a um visto de curta duração para entrar em Cabo Verde, medida justificada então pelo Governo com a intenção de aumentar a competitividade no setor do turismo e duplicar o número de turistas que visitam o país, que é de cerca de 750 mil anuais.

Para compensar a perda de receitas com a isenção de vistos, o Governo cabo-verdiano criou uma Taxa de Segurança Aeroportuária (TSA), que também entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2019 e que já em Fevereiro próximo é alargada a cidadãos do Brasil, Canadá e Estados Unidos.

Terão de pagar a taxa todos os cidadãos estrangeiros que desembarquem em Cabo Verde ou estejam em viagem entre as ilhas, e os cabo-verdianos, nas deslocações entre ilhas.

A TSA custa, nos vôos nacionais, 150 escudos cabo-verdianos (cerca de 1,36 euros) a todos os passageiros (nacionais e estrangeiros), os quais são cobrados no momento da emissão dos bilhetes de passagem.

Para os vôos internacionais, o valor da taxa é de 3.400 escudos cabo-verdianos (cerca de 30,86 euros) para os passageiros estrangeiros, cobrados através de uma plataforma online de pré-registo.

Segundo os dados do Fundo Monetário Internacional, as atividades relacionadas com o turismo representam 25% do PIB de Cabo Verde e 50% das receitas de exportações do país.